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Felipe Barrozo

A corrida da inteligência artificial não deve desacelerar tão cedo

2 min de leitura

Li o artigo da Anthropic sobre o futuro da inteligência artificial. A tese central é simples: a empresa trabalha com a hipótese de que o ritmo atual de desenvolvimento vai continuar.

Existe a possibilidade de essa evolução perder força ou entrar em uma curva de crescimento mais lenta. A Anthropic, porém, considera esse cenário pouco provável. Até agora, não há sinais claros de que o avanço esteja chegando ao limite. Os últimos anos apontam na direção contrária.

Projeções do PIB dos Estados Unidos até 2030 em diferentes cenários de avanço e adoção da inteligência artificial

Projeções apresentadas pela Anthropic para diferentes cenários de impacto econômico da IA.

Se esse ritmo continuar, a melhoria recursiva dos próprios sistemas deixa de parecer uma hipótese distante. Ainda não sabemos quando isso pode acontecer, nem quais serão seus efeitos. Mas há um risco evidente de que a tecnologia avance mais rápido do que nossa capacidade de adaptação.

Tenho uma ressalva. A discussão me parece subestimar a robótica, que pode ampliar bastante o impacto da IA quando esses sistemas ganharem presença física. Mesmo assim, o ponto mais importante continua sendo a baixa probabilidade de uma desaceleração.

Exemplos de tarefas hospitalares que podem ser feitas por inteligência artificial e tarefas que ainda dependem de pessoas

Mesmo com sistemas mais capazes, algumas atividades continuam dependendo da presença e do cuidado humano.

A própria Anthropic reconhece o dilema:

“Se fosse possível desacelerar de forma efetiva o desenvolvimento dessa tecnologia para termos mais tempo de lidar com suas enormes implicações, acreditamos que isso provavelmente seria positivo. Mas, se uma desaceleração apenas permitir que os atores menos cautelosos alcancem os demais tecnologicamente, ela poderá deixar todos menos seguros. Sem um mecanismo de coordenação global, empresas e governos terão de tomar decisões difíceis sobre segurança enquanto enfrentam pressões competitivas e geopolíticas.”

Esse trecho expõe o problema. Mesmo que uma empresa queira avançar com mais cautela, ela opera em um ambiente de competição. A Anthropic enxerga os Estados Unidos em uma corrida tecnológica com a China e, por isso, não acredita que uma desaceleração unilateral seja viável.

OpenAI e Anthropic parecem concordar nesse ponto: o desenvolvimento continuará e seus efeitos chegarão a praticamente todas as áreas da sociedade.

Ainda discutimos inteligência artificial como se tivéssemos bastante tempo para decidir o que fazer. Talvez não tenhamos. A conversa precisa envolver governos, empresas, pesquisadores e a sociedade agora, enquanto ainda existe alguma margem para influenciar o rumo dessa tecnologia.



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